Mínimos múltiplos incomuns

1º Construção



 Falemos de casas, do sagaz exercício de um poder tão firme e silencioso como só houve no tempo mais antigo. Herberto Helder




Os cantinhos do nosso habitat começam a entrar em contato, mais de perto, numa intimidade recíproca e acolhedora comigo neste novo ciclo que se abre. Uma breve estreiteza de sensações  se apuram com os pensamentos e por mais longos e longínquos sejam esses estão cada vez mais dentro da gente.
De repente, seus olhos se voltam para os detalhes, a brisa fresca que entra pela janela tocando as flores, um quadro novo, uma imagem poética de uma pedaço tão particular e incomum porque seu. A casa é o canto mais expansivo que podemos cultivar as pequenas e grandes experiências da vida, mais que a rua, o mundo, ou as relações, a casa mantém com o indivíduo uma relação extra de autoconhecimento, não pelo simples reconhecimento de si nela, mas pelo (re)conhecimento dela a cada dia novo, apesar de imóvel. E essa pode ser uma de suas belezas, pois quem a muda somos nós, a casa não se muda, mas nos faz mudar.
 Dessa beleza mínima e multiplicada por formas, expressões, desejos e intenções pretendo me constituir neste ano de 2013, buscando novos cantos, incomuns, pequenos, distintos, enormes que concretizem a plenitude de se sentir em casa, quer melhor sensação? Feliz Casa Nova porque cada dia do ano estamos num cantinho diferente de nossa alma, de nosso mundo particular.

Carol Belchior  

2ª Desejo






As vezes alguns sonhos ou planos parecem longe, tão longínquos que ao sonharmos o visualizamos com certo desfoque, pequenos, distantes perto de uma realidade mais presente, bonita, viva e bem mais visível. Sabemos, no entanto, que escalar a realidade para chegar aos sonhos pode ser uma atitude arriscada, imaginária, quase como um conto de fadas em que o topo é até menos importante do que a subida, pois o felizes para sempre é o sonho alcançado e por isso encerrado.
O bom da escalada real em busca do almejado é o tempo da consciência e da reflexão que a subida nos permite fazer. Quase como o mito de Sísifo, intelectual, que condenado a levar a rocha até o topo da montanha eternamente se empenhava num esforço meramente físico, porém ao descer para recuperar a pedra que rolava refletia sobre sua condição.
Na subida refletimos também sobre nossa condição e aí é que está o elã da vida.
Bem - vindo ao início da esclada!
Carol Belchior

3ª Harmonia
O Branco e o Preto são considerados clássicos, antes tão comuns em imagens por falta da tecnocolor, hoje tão atrativos como cores para as novas imagens, por quê? Porque clássicos, charmosos, elegantes.
Mas ambos, o branco e o preto juntos já fizeram mais que dar charme ou registros históricos para as imagens, marcaram a História, a vida e ad continuum marcam a luta cotidiana da convivência entre seres, mais do que cores, ambos tentam harmoniosamente conviver com a diferença, não das outras cores, mas a particular e específica de cada uma, que por sua imperiosa elegância já devia ser respeitada em si, porque diferentes, porque iguais. Ambas cores, ambos seres humanos.
Vivre la différence!
Carol Belchior


4ª Quebra-luz

A continuidade da paisagem, às vezes, em SP é bastante interrompida pelo concreto, pelas janelas, pelas mini prisões confortavés que usamos para nos transportar, contudo a quebra também produz em nós curiosidade, a mesma que busca descobrir o que há por trás daquele muro, também nos impele à descoberta de nosso novo olhar. Por trás do concreto, às vezes, em SP há bastante SP pra descobrir!

Carol Belchior


      5ª Luz, Câmera, Emoção!


 
É sempre bom revisitar o cinema e descobrir de novo o porquê nos sentimos atraidos por seu fascinio. Talvez pelas imagens, enredo, música, companhia ou o escurinho, mas com certeza não é apenas o conjunto, nem uma só atração. Não é aquele cartaz que te move de casa, não são as críticas ou os incentivos dos amigos. Não arruma-se uma desculpa para visitar o cinema, simplesmente ele resolveu nos descobrir um dia num mundo de duas cores e mil formas, uma infinidade de imagens que se recriam infinitamente pera a eternidade.
O prazer de descobrir a arte é saber que nossa infinitude está na existência interminável dela com suas transcendências de tons, cores e formas que nos deslumbram.
É maravilhoso saber que o mundo se faz mais de ficção e arte do que de realidade e desastre.

Carol Belchior


6ª Pegadas





Tão múltipla em seus mínimos passos e recantos, escondida em si simultaneamente desbrava-se em corversões, conexões e ausências. São Paulo é grande, mas nossas pegadas por ela são maiores porque multiplicadas todos os dias em milhões apresentam-se sempre em outras diversas são paulos.

Carol Belchior

7ª Haicai




 Desta vez cansou de esperar
Olhou a porta fechada 
E viu que a luz se abria

Carol Belchior



8ª Vanilla sky

 Céu de Monet! Ele pôs lá a lua, as nuvens, as cores e principalmente a luz. Como captar de maneira tão impressionista formas tão naturais? "A luz fugidia me perseguia e eu não tinha nada a acrescentar, apenas admirar a beleza de um céu de baunilha e retratar, humildemente,esse harmônico fim de luz, lua e tudo."

Carol Belchior




9ª Trô pe ga


             Acelera os passos ao dobrar a esquina, balbuciando o esquecimento, ainda precoce, porém anunciado da sombrinha. Vinha carregada pelo vento que não só despenteava-lhe os anéis dourados como queimava-lhe o rosto  que ansiava o fogo da lareira. Não haveria nada aceso a essa hora, alto da madrugada até a lua já desaparecerá dos olhos, onde fora se esconder? Atrás de alguém que não estivesse também ao alcance. Um cachorro uiva ao longe e olha para a sua lua, onde estará? Não é possível uma noite tão escura e sobria.
        Cruza mais uma rua e os passos cansam de inventar operações para dinamizar o movimento trivial. Por que não corro? Seria descabido se alguém me visse, pensariam que estou fugindo de algo ou até mesmo deles.
          A esquina demora a se abrir e uma fina camada de neblina desce à frente, o orvalho escorre-lhe pelo rosto, ou seria suor. Conseguira suar sem lua, sem céu, sem agasalho?
Outra esquina se passa, mas os passos já não acompanham, temem não exercer seu papel, sua função mais conhecida, cansados começam a adormecer. Ora, isso são horas de esfriarem? Continuem trabalhando! Mas as finas meias e os sapatos bastante rotos não esquentam mais por mais que o atrito aumente. As pernas aos poucos cessam os pés que reclamam calor.
         Desesperada grita para os pés, olha para a lua, ela não lhe salva e o suor começa a perturbar. Decide parar e tirar os famigerados companheiros de caminhada dos sapatos. Duros, roxos, quase sem vida ela os abafa com uma cantoria de acalanto, mas eles não resistem e desistem do caminho.
          De volta ao sapatos não se levantam e são tingidos com o vermelho suor escurecido. Se ao menos eu encontrasse a lua, poderia me guiar, me iluminar, o caminho estaria apontado. Vamos aguentem um pouco mais. Em pé, cai e olha para o céu, nele apenas sombras de luz passadas. Onde estará ela nessa hora. 

Carol Belchior




Brilho Breu




Uma possibilidade

Leitura




Como se fosse sábado






2 comentários:

  1. Hum... deu vontade de morar em vários lugares ao mesmo tempo, pois há casas que nos convidam a ficar, por seus moradores hospitaleiros, por sua segurança emocional confortável...

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  2. Cada nova foto está superando a anterior. Adorei e estou adorando!!!

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