| 1ª semana/Jan -Parque Ibirapuera - São Paulo |
Não há nada de incomum ou de espetacular nesta imagem. No
entanto, “o essencial é invisível aos olhos”. Com a sensibilidade, que ás vezes
se esconde, é possível ver que há um portal formado pelos galhos e no alto uma
luz... A luz de um dia que começou nublado, mas que aos poucos despertou um sol
tímido e mais tarde uma claridade que contaminava toda imagem livre que se via.
Uma claridade que guia os passos, que se revela aos poucos
quando há no peito um sentimento de gratidão por receber como dádiva olhos capazes
de ver no nada uma catedral que se ergue, uma igreja natural, onde o próprio
olhar é a oração, as batidas do coração formam um mantra e o rito se faz na
presença do riso e do sorriso de quem se ama e está também ali... Este é o
primeiro templo incógnito de 52 que serão visitados, vivenciados, registrados
e revelados durante este ano.
Gisele Lemos...
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| 2ª semana/Jan. - Ícone de São Bento |
A fé de muitos baseia-se
em símbolos que podem ser figuras, estátuas, frases, canções, enfim, são
signos. A própria visão humana enxerga apenas reflexos da luz, portanto o que
vemos, vivemos, convivemos e acreditamos são representações.
Um ícone empoeirado numa prateleira pode passar diariamente desapercebido até que um momento de desespero ou de agradecimento leva a enxergá-lo. Mas, não há regras quanto a isso, porque existem pessoas que encontram sua fé em sua própria capacidade de concentração.
Um ícone empoeirado numa prateleira pode passar diariamente desapercebido até que um momento de desespero ou de agradecimento leva a enxergá-lo. Mas, não há regras quanto a isso, porque existem pessoas que encontram sua fé em sua própria capacidade de concentração.
Nosso comportamento simbólico faz com que imagens (como a representação de um homem que foi considerado santo) tornem-se sociáveis, pois ao compartilharmos com os outros e criarmos a convenção de que são sagradas, todos passam a venerá-las.
No entanto, não importa o que a imagem significa, mas o importante é que por meio dela encontremos a paz, venerando- a ou não.
Gisele Lemos...
As linhas de sustentação e as outras linhas que levam energia, avanço, tecnologia; sob o cenário das nuvens. Linhas podem representar infinitos significados, mas nestas podemos identificar uma aspecto fundamental aos humanos: Travessias.
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| 3ª semana/Jan. - Dia de chuva |
Enquanto a chuva cai a paz se restabelece, pois há um silêncio
sagrado, há a lentidão dos pingos, as nuvens escuras e dentro do peito a
esperança de tempos melhores, de dias claros de sol, de risadas iluminadas pelo
céu, de calmaria e aconchego.
Depois da chuva,fica o chão encharcado, aquele cheiro
de terra molhada que traz saudade de casa, mas fica também a lama e nela a
oportunidade de recomeçar, de arar a terra, de plantar o futuro.
Gisele Lemos...
Clerodendron thomsoniae - nome científico para Lágima-de- Cristo, por seus cálices brancos e corolas vermelhas lembrando gotas de lágrimas e de sangue.
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| 4ª semana /Jan. - Lágrima-de-Cristo |
Cristo chorou? E chorou sangue? História ou não, a imagem de doação extrema ascende no coração a esperança de que o divino também se fez e se faz humano, para que os homens aproximem-se dele, porém se aproximem encontrando-o no próprio humano.
Uma lenda narrada pelo grande contador de histórias Malba Tahan conta que um Lao-Yê (designação de sacerdote na Velha China) encontrou uma jovem que se ocupava demasiado em enfeitar um ídolo rodeando-o de flores. O Lao-Yê a advertiu dizendo que Deus está mais nas flores do que no ídolo. A moça acreditando ter aprendido a lição passou a rodear uma flor de vários ídolos. O velho sábio sacerdote comoveu-se com a ingenuidade da jovem e lhe deu novo conselho:
"- Aprende,porém, a verdade: sim, Deus está mais na flor que no ídolo; é preciso, entretanto, observar que Deus está mais na mulher que na flor. Deus, ao criar a mulher pensou nas flores, e por isso na mulher vamos encontrar delicadeza, bondade e beleza!
(...) - Retira daí essa flor, minha filha. Coloca-a em teus cabelos e deixa os ídolos em paz! Mulher! És a fonte dos jardins, poço das águas que correm pelos campos!"
(Novas Lendas Orientais, Malba Tahan)
Onde está a mulher que contempla esta flor? Atrás da câmera que registrou a imagem e essa mesma mulher está rodeada de flores no quintal magnífico que Deus lhe permitiu um pouco pertencer. Aí está o sagrado que as aflições e anseios da vida nãos nos deixam enxergar.
Gisele Lemos...
| 5ª semana/ Jan. e Fev. - Vista da janela no Museu da Língua Portuguesa |
"Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal
Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal
Você não escutou
Você não quis acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quis acreditar
E eu apenas era (...)"
Mas isso é tão normal
Você não quis acreditar
E eu apenas era (...)"
(Paisagem na janela - Lô Borges)
...Era um cavaleiro marginal, uma menina má, um gentil sonhador, uma donzela romântica, um louco, uma insana... O que somos? Somos o que vemos de nossa janela, somos as imagens que penetramos no dia a dia, somos o sagrado, somos o profano. Todos em busca da visão ideal, pela janela de nossa alma, ver uma paisagem que nos faça desabrochar mais uma vez.
Gisele Lemos...
Estes olhos enigmáticos e sedutores. O que têm a esconder? São penetráveis? Querem me atrair para depois me enganar? Dissimulados...
Diversas lendas retratam os animais felinos como seres dotados de sedução, na Índia e Egito são divindades; outras histórias contam que eram companheiros das bruxas; No Japão dizem que os gatos se tornam grandes espíritos quando morrem, outros falam que o corpo do gato é descanso para almas espiritualmente elevadas; também são vistos como símbolo de fertilidade (Escandinávia e Indonésia).
Gatos brancos trazem sorte, gatos pretos são sinais de azar. Quando se trata de fé é assim, não há unanimidade... Nada melhor que o sabor da dúvida para provar nossa capacidade em crer numa ideia única!
Gisele Lemos...
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| 6ª Semana/ Fev. - O fitar da gata |
Diversas lendas retratam os animais felinos como seres dotados de sedução, na Índia e Egito são divindades; outras histórias contam que eram companheiros das bruxas; No Japão dizem que os gatos se tornam grandes espíritos quando morrem, outros falam que o corpo do gato é descanso para almas espiritualmente elevadas; também são vistos como símbolo de fertilidade (Escandinávia e Indonésia).
Gatos brancos trazem sorte, gatos pretos são sinais de azar. Quando se trata de fé é assim, não há unanimidade... Nada melhor que o sabor da dúvida para provar nossa capacidade em crer numa ideia única!
Gisele Lemos...
| 7ª Semana / Fev. - Ponte Estaiada - São Paulo |
Atravessamos pontes, atravessamos o limite do corpo humano, chegamos aos extremos e, por vezes, clamamos por "retornos".
Gisele Lemos...
A prática do caminhar, sem olhar para trás, deixando apenas sombras e retirando tudo o que nos impede de ser livres. Apesar da idade, das dificuldades, das dores e do cansaço... há um caminho a trilhar, onde novas águas surgirão e uma brisa mansa nos renovará com o porvir de sonhos, jamais abandonados, ganham uma perspectiva de juventude.
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| 8ª Semana/Fev. - Passos na areia e no mar |
A superação inesperada é o que aproxima o ser humano do sagrado, pois é a reificação do milagre de viver, ou melhor, sobreviver.
Gisele Lemos...
A máquina de lavar roupas terminou o trabalho que os braços cansados não podiam fazer. Ao pegar um dos casacos para pendurá-lo no varal sentiu algo firme através do pano, colocou a mão em um dos bolsos e estavam lá: três notas, R$17,00, valor que pagaria um almoço, valor que compraria um batom, valor que gastaria, talvez, com futilidades, e estava ali molhado, cheirando a amaciante.
Naquele momento pensou exatamente o contrário do que pensava sempre que encontrava um dinheiro esquecido, a alegria da surpresa foi substituída pelo pensamento incômodo: E se pudêssemos esquecer do dinheiro todos os dias? E se não lhe dessemos valor, seríamos independentes, livres e felizes?
Com a resposta já na mente, mas negando a si mesma, pendurou as notas no varal para que secassem e pudesse usá-las para inteirar o valor de mais uma conta mensal.
Gisele Lemos...
Onde termina a linha que o tempo nos traça? Onde continua a edificação de nosso destino?
| 9ª Semana - Esquecer o dinheiro |
A máquina de lavar roupas terminou o trabalho que os braços cansados não podiam fazer. Ao pegar um dos casacos para pendurá-lo no varal sentiu algo firme através do pano, colocou a mão em um dos bolsos e estavam lá: três notas, R$17,00, valor que pagaria um almoço, valor que compraria um batom, valor que gastaria, talvez, com futilidades, e estava ali molhado, cheirando a amaciante.
Naquele momento pensou exatamente o contrário do que pensava sempre que encontrava um dinheiro esquecido, a alegria da surpresa foi substituída pelo pensamento incômodo: E se pudêssemos esquecer do dinheiro todos os dias? E se não lhe dessemos valor, seríamos independentes, livres e felizes?
Com a resposta já na mente, mas negando a si mesma, pendurou as notas no varal para que secassem e pudesse usá-las para inteirar o valor de mais uma conta mensal.
Gisele Lemos...
| 10ª Semana /Mar. - Sacada da Casa das Rosas |
Somos casas, habitadas por muitos, invadidas por alguns. Somos terreno em que plantamos as conquistas e enterramos os fracassos. E o que fazer quando as paredes já escurecidas pelo tempo, degastadas pelas chuvas, já não podem ser restauradas?
Inauguramos um novo espaço, porém permanece a antiga arquitetura. Pois, podemos nos tornar prédios novos, mas nosso alicerce sempre será o mesmo.
Gisele Lemos...
"[...]Legal ficar sorrindo à toa,toa
Malba Tahan, em seu conto "Na oitava casa da vida", comparou o tabuleiro de xadrez com a trajetória da vida humana. E deu um sábio conselho: ao chegar na oitava casa da vida faça uma escolha sensata, de peão se transforme em dama (educada); bispo (servil); torre (companheira); porém, nunca opte por ser cavalo (torpe), pois triste, bem triste, é o fim daquele que se torna "besta" na oitava casa da vida...
| 11ª Semana/Mar. - Hidrante feliz - Avenida Paulista |
"[...]Legal ficar sorrindo à toa,toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua
Andar sem rumo na rua
Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo:
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo:
Hoje eu só quero que o dia termine bem [...]
(Simples Desejo - Luciana Mello)
| 12ª Semana/Mar. - Jogo de Xadrez Peruano |
Ao olhar esse tabuleiro de xadrez peruano - que recorda a colonização dos países latinos, a luta que o povo nativo travou, a dor na cordilheira, o sangue derramado que semeou a nossa terra e dele brotou esse nosso povo - fica a pergunta: O que escolhemos ao chegar na oitava casa da vida? Somos capazes de nos sacrificar pelo outro? Doamos? Pisamos? Damos o xeque-mate sem pensar em quem perde?
Somos peãozinhos que galgamos na espera de progredir.
Virtude sagrada é lembrar sempre que se foi um mísero peãozinho, mesmo quando atingir as regalias e prestígios na oitava casa da vida.
Gisele Lemos...
Ah, que bom seria se as tardes sempre demorassem a passar! Que as ruas e avenidas não tivessem um trânsito assustador! Se assim fosse, enquanto esperamos o ônibus seria possível observar a vida em torno. Deixaríamos de ver a pichação, o abandono, para dar espaço em nossos olhos à esperança. Esperança em um gatinho preto? Gato preto é sinal de azar? Preto, branco, rachado ou caramelo, gato é sinal de durabilidade da vida!
| 13ª Semana/Mar. - Enquanto espera ... Ponto de ônibus - Rua Oscar Americano- São Paulo |
Infelizmente, essa tarde durou o mesmo tempo que as demais. Havia trânsito, a pichação e o abandono estavam lá. Mas, haviam olhos que preferiram enxergar um filhote de gato, pretinho, embaixo do banco do ponto de ônibus, ali estava protegido, à sombra.
Os olhos esqueceram todo o resto, divertiram-se com o episódio que a vida lhe ofereceu naquele dia. Porém, o carro chegou e os olhos precisaram partir; o abandono continuou naquele ponto. Na cabeça uma frase: Não atravesse a rua, gatinho! No coração um desejo: Uma pessoa que recolhesse e adotasse a vida frágil que se mantinha à espera.
Os olhos esqueceram todo o resto, divertiram-se com o episódio que a vida lhe ofereceu naquele dia. Porém, o carro chegou e os olhos precisaram partir; o abandono continuou naquele ponto. Na cabeça uma frase: Não atravesse a rua, gatinho! No coração um desejo: Uma pessoa que recolhesse e adotasse a vida frágil que se mantinha à espera.
Gisele Lemos...





Buscar a paz é um bom objetivo de vida!
ResponderExcluirNão é fácil encontrá-la, requer dedicação...
ExcluirA sua dedicação está se revelando nas imagens delicadas e profundas, tá ficando lindo!
ResponderExcluirEngraçado, pois é educar os olhos para enxergar o que sempre esteve ali bem na nossa frente.
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